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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Mercado se une contra regras da Anvisa

Manisfesto assinado por 13 entidades dos setores publicitário e produtor critica normas para publicidade de alimentos e bebidas


São Paulo - Uma semana depois de a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicar no Diário Oficial da União a regulamentação para publicidade de alimentos e bebidas, 13 entidades do mercado publicitário e produtor divulgaram manifesto contrário ao projeto.

Assinam o texto protesto: ABA (Associação Brasileira de Anunciantes); Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade); Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão); Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação); Abir (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas); ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura); Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas); ANJ (Associação Nacional de Jornais); Central de Outdoor; Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas); Fenapro (Federação Nacional das Agências de Propaganda); IAB (Interactive Advertising Bureau, Brasil) e Instituto Palavra Aberta.

Em resumo, as associações alegam que a Anvisa ultrapassa suas competências ao criar tais regras, que obrigam que as campanhas contenham alertas sobre os riscos à saúde que a ingestão de alimentos e bebidas com alto teor de gorduras, sal e açúcar podem causar.

Na última semana, o Instituto Alana e a Abia já haviam manifestado posição contrária à regulamentação, sendo que a segunda entidade prometeu mover ação na Justiça contra o projeto.

Leia o manifesto na íntegra:

"Em defesa do estado de direito

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de exorbitar da sua competência mais uma vez, ao tentar agora impor regras para a publicidade de alimentos e bebidas não alcoólicas. Em medida administrativa, na Resolução no 24/2010, a agência cria regras para a propaganda comercial de alimentos e bebidas.

Não é a primeira investida dessa agência. Em outras oportunidades, já tentou se substituir ao Congresso Nacional criando regras para a propaganda de outros produtos, como bebidas alcoólicas, em 2007, e medicamentos populares, em 2009.

Em ambas, a Anvisa foi desautorizada pela Advocacia-Geral da União e, na última delas, também pela Justiça. Sempre que perdeu, foi porque ficou claro que não tinha competência para legislar sobre propaganda comercial. (continua)

Novamente a agência reincide ao legislar em seara que não lhe compete. O artigo 22, inciso 29 da Constituição Federal, diz que é competência privativa da União (Congresso Nacional e Presidência da República) legislar sobre propaganda comercial. O artigo 22 é claro ao dizer que compete à lei federal dispor sobre propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde.

A propaganda brasileira é submetida a um sistema misto de controle que funciona muito bem. Fazem parte dele o severo arcabouço legal no qual avulta o Código de Defesa do Consumidor e, do lado da sociedade civil, o Conar. Este já julgou mais de 7 mil casos em seus trinta anos de existência.

Estabelece um sistema considerado dos mais evoluídos do mundo para regular eticamente mensagens comerciais e é respeitado por anunciantes, agências de propaganda e veículos de comunicação.

As entidades abaixo-assinadas reiteram a sua confiança no Estado democrático de Direito, na primazia da Constituição Federal e confiam que o Congresso Nacional saberá fazer uso da competência constitucional que lhe foi atribuída pela Carta Magna de 1988. Temos certeza, portanto, de que a usurpação de poder ora em curso não há de prosperar."

Expansão de O Boticário agrega ruas e shoppings

Rede de cosméticos investe nos dois modelos para atingir três mil lojas em 2010

Rio de Janeiro - O dilema loja de rua x shopping não cabe para O Boticário. A rede investe nos dois modelos e pretende fechar o ano de 2010 com três mil pontos-de-venda, mostrando que as duas opções de varejo são complementares para a estratégia de crescimento da marca de cosméticos. O projeto foi iniciado em 2007 com um novo modelo de ponto-de-venda para as novas lojas, enquanto outras foram relocalizadas, reformadas e padronizadas com a arquitetura.

A expansão da rede atingiu o número de 915 franqueados e cerca de 870 produtos. O resultado do investimento é de R$ 3,5 bilhões em faturamento no ano passado. Das 2.840 lojas, 68% estão localizadas em ruas. Só elas correspondem a 55% do faturamento do grupo. Os shoppings são os endereços de 15% dos pontos-de-venda, que representam 30% da receita da marca que abre, em média, 200 lojas abertas por ano.

As diferenças regionais fizeram o projeto de expansão da empresa dividir o Brasil em três grupos. Os municípios onde não havia lojas, os que possuem poucos pontos-de-venda e as grandes cidades. Para cada modelo, a companhia dispõe de 40 consultores que avaliam os espaços e dão o aval para o início do projeto. Depois de verificar o potencial destas regiões, a rede se baseia em um sistema de filtros estatísticos que avalia a renda média dos habitantes da região, o seu potencial de mercado para novas lojas, o custo por metro quadrado e o retorno para o franqueado.

Expansão em dois modelos

Apesar de parecer mais fácil, dos grandes municípios brasileiros avaliados no processo de expansão, apenas 60% deles ofereceram reais condições de efetivar a expansão da rede. "Abrir novas lojas, relocalizar, ampliar os pontos-de-venda e padronizar a arquitetura são movimentos feitos ao mesmo tempo. Demanda ferramentas de gestão. Por isso criamos o Sistema de Gerenciamento de Processos Construtivos", aponta Osvaldo Braga Moscon, Gerente Executivo de Canais de Vendas de O Boticário.

O planejamento de expansão das lojas teve forte crescimento no faturamento das lojas de rua. Em algumas delas, a movimentação de consumidores é maior do que qualquer shopping poderia ter. "O número de pessoas que entram nas lojas de rua O Boticário é menor do que nos shoppings. As lojas de rua têm menor capacidade de captar, mas tem um índice de conversão maior do que o dos shoppings", diz Moscon.

O comércio de rua atrai principalmente os consumidores que residem próximos a ele. O tempo máximo de deslocamento que o cliente suporta para chegar ao local de compras é de até 15 minutos, segundo um estudo interno da companhia. A diferença dos shoppings é que a população flutuante não mora perto, mas trabalha próxima destes centros ou estão de passagem pela região por um motivo qualquer. Para fazer disso uma oportunidade, O Boticário investe em Geomarketing, fazendo o cruzamento de dados como a renda média dos consumidores da região e o número da população flutuante do pólo.

Estudo caso a caso

Para escolher os locais ideais para abertura ou reforma das lojas, a empresa estuda a densidade do comércio daquela região, o número de pontos comerciais e até a correlação dos segmentos de outras lojas com os produtos O Boticário. A origem e o destino dos consumidores que entram nas lojas de rua também fizeram parte do estudo que validou a expansão da marca de cosméticos. "Uns saíram de casa para comprar, outros estavam voltando do trabalho. Ao compararmos as lojas de rua com as de shopping, de supermercados e as de galerias verificamos que 50% dos que passavam por ela efetuaram uma compra", conta o Gerente Executivo de Canais de Vendas do Boticário.

Em um processo de relocalização, O Boticário transferiu uma loja de rua para outro logradouro na mesma região, já que a fachada era obstruída por uma árvore. No novo endereço, o número de pessoas dobrou e, consequentemente, aumentou a receita da loja. Em uma outra ocasião, uma simples mudança de uma rua para outra fez com que o trânsito de consumidores passasse de 200 para 600 pessoas a cada hora.

O espaço interno tem custo mais baixo do que os shoppings, está mais próximo do consumidor, é imune à gestão do shopping e possui mais liberdade para realizar ações de marketing. Já os shoppings oferecem estacionamento, são ambientes planejados e não sofrem interferência de decisões políticas sobre o tráfego de uma região. Além disso, estão alheios ao projeto "Cidade Limpa" e às influências climáticas, como enchentes e poluição sonora, por exemplo. "A atuação nos dois modelos de varejo faz com que se perceba vantagens em ambas", completa Osvaldo Braga Moscon, Gerente executivo de Canais de Vendas de O Boticário.

* com reportagem de Bruno Mello

Marketing direto também está na web

Daniel Morel, ceo da Wunderman, analisa o conceito "Digital is direct"

São Paulo - Sem grandes conquistas em Leões, a Wunderman teve uma importante marca para comemorar durante o 57º Festival de Cannes. Foi na semana do evento, mais precisamente em 22 de junho, que Lester Wunderman, um dos pais do marketing direto e fundador da agência global que leva seu nome desde 1958, completou sua nona década de vida. Hoje a operação mundial é comandada por Daniel Morel, CEO e chairman da Wunderman, mas o próprio garante: "Lester continua firme e ativo na empresa. Há semanas em que ele aparece todos os dias no escritório", contou.

Morel é um dos responsáveis por colocar em prática o conceito mundial da empresa, "Digital is direct", e por garanti-la como agência global de marketing de relacionamento da Microsoft, um de seus principais clientes - ao lado de contas como Ford, Nokia, Dell, Burger King, Diageo, Citibank e Telefônica. "Atualmente nossos clientes são, na maioria, digitais. Mas hoje o digital e o marketing direto se confundem. Toda a web é sobre coletar dados e relacionamento. Web interactive também é marketing direto", explicou.

Integrante do WPP, a Wunderman se beneficia da parceria com algumas das principais agências mundiais, como Y&R, JWT e Ogilvy, no atendimento de grandes contas. Porém, garante que mantém um ótimo relacionamento com agências externas - como no caso de Burger King, atendido pela Crispin Porter + Bogusky - e que, assim como no Brasil, a principal prática para a conquista de clientes ainda é a concorrência. "Temos um sistema integrado no WPP que facilita o atendimento de diferentes disciplinas e agências para o mesmo cliente, como em nosso trabalho com a JWT para Nokia, por exemplo. Outro ponto positivo é que muitos clientes entregam suas contas para as redes, não exatamente para agências específicas, o que nos habilita como agência digital e de marketing direto para grandes anunciantes. Mas na maioria dos casos ainda conquistamos novas contas por meio de concorrência".

Analisando o resultado brasileiro em Direct, onde dos seis Leões conquistados, cinco foram para as chamadas "full agencys" (dois para Ogilvy, dois para a DM9DDB e um para a Loducca.MPM) e apenas um para uma especializada, a Sun/MRM, Morel destacou que a prática é comum, mas não preocupante para seu negócio. "Grandes agências têm hoje pessoal capacitado para a realização de qualquer tipo de trabalho, mas os grandes clientes ainda procuram agências especializadas".

Mas se há anunciantes que procuram as multidisciplinares, a crise ajudou a mostrar, segundo o executivo, que a recíproca também é verdadeira. O problema europeu, que afetou o mercado globalmente, acabou sendo benéfico para a Wunderman. "O que os clientes não querem é desorganização e, em tempo de crise, também procuram focar suas verbas em um único parceiro ou projeto. Durante o último ano, muitos de nossos clientes deixaram toda sua comunicação nas nossas mãos", disse. Os bons resultados se estendem também para 2010, na previsão do ceo. "De acordo com o Advertising Age's Agency Report, nossa rede teve rendimento de US$ 828 milhões ano passado. Este ano estamos investindo mais e trabalhando mais, o que pode nos levar para perto de US$ 1 bilhão", apontou.

O Brasil aparece, na opinião de Morel, como referência entre os mais de 130 escritórios da Wunderman em 55 países, que empregam aproximadamente sete mil profissionais. "Acredito que a operação brasileira está entre o top 5, atrás apenas de mercados-chave como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Ela é uma inspiração global em muitos pontos, especialmente na parte criativa", concluiu.

Mais uma alternativa publicitária para o Twitter

Site não confirma, mas perfil @earlybird pode ser a terceira forma de gerar receita com tuíte

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São Paulo - O Twitter criou recentemente, e sem fazer alarde, uma conta que pode dar pistas sobre a terceira forma de gerar renda para o site: é o perfil @earlybird

Segundo especulações de veículos internacionais como The Guardian e ReadWriteWeb, a conta mostraria ofertas e promoções diárias de diversas empresas e marcas para seus seguidores. O novo formato sugere uma lista opt-in, em que só receberiam mensagens publicitárias os perfis que seguem o @earlybird.

Os dois modelos já lançados pelo Twitter - "promoted tweets" e "sponsored trends" - têm gerado boas respostas. Na última ação feita no microblog, a Coca-Cola integrou os dois formatos e alcançou 86 milhões de impressões nas primeiras 24 horas. Isso significa uma média de 3,6 milhões de impressões por hora, com uma taxa de interação de 6%, o que excede a média atingida pela publicidade tradicional na web, que é de 0,02%.

Sobre o @earlybird, o site não se pronuncia, mas o perfil já causa curiosidade antes mesmo de divulgar qualquer informação mais precisa.

Derrota da Seleção não prejudica marcas

Desclassificação na Copa não se reflete nos patrocinadores, dizem especialistas

São Paulo - O Brasil despediu-se da Copa do Mundo de 2010 na última sexta-feira (2), mas, apesar da derrota, o resultado negativo não chega aos patrocinadores. É o que defendem alguns especialistas em marketing e especificamente em marketing esportivo. A Seleção Brasileira volta para a casa sem a taça e o título do hexacampeonato e até em meio a críticas pelo desempenho. Mesmo assim, os patrocinadores colhem, de qualquer forma, louros pelo apoio ao time e ao futebol brasileiro.

"Na vitória, se explora o apoio e a vitória junto com o time, mas na derrota não se perde junto", apontou Marcelo Boschi, especialista em marketing da ESPM RJ. Ele lembrou que as empresas estão preparadas para esta perda. "E entendem que suas estratégias de patrocínio não serão afetadas, pelo contrário, vão explorar a ideia de que estão juntas do time e da torcida, tanto na vitória quanto na derrota. É parte da lógica do investimento no esporte: só um ganha e os perdedores não se prejudicam", falou. Boschi apontou as ações de comunicação que são lançadas em casos como este. "Vemos estratégias específicas mostrando que o patrocínio vai além da vitória, que os patrocinadores são Brasil e apostaram no Brasil", colocou, destacando que o sentimento vira o mote das ações publicitárias.

Mas, para realmente reverter o insucesso da seleção em um saldo positivo, entram em campo as estratégias de marketing. "Durante várias Copas, com vitória da seleção ou o desempenho negativo, os patrocinadores, quando bem orientados e com planejamento adequado prevendo a vitória ou a derrota, sempre têm saldo positivo. Um pouco maior ou um pouco menor. A percepção do patrocinador pelo torcedor ou consumidor é de parceria. O patrocinador é encarado como benfeitor", avaliou José Estevão Cocco, diretor-presidente da J.Cocco Sportainment e presidente da Abraesporte. Ele acrescentou que o recall não fica ligado à performance da equipe. "O torcedor, na sua grande maioria, está ligado no futebol e não exclusivamente na Copa. Dois ou três dias após o término da Copa ou da desclassificação, começam os jogos entre os times locais e nacionais. E aí está o torcedor e toda a mídia acompanhando, vibrando e discutindo mais um campeonato. Depois vem outro, mais outros, até chegar a próxima Copa", destacou.

Fernando Trevisan, diretor geral da Trevisan Escola de Negócios, reforçou que, com a eliminação, a hora é para vincular a marca a uma atitude, mais do que a um resultado. "Por isso, o impacto do desempenho dentro de campo da seleção brasileira na marca patrocinadora depende mais da forma como a seleção se comportou ao longo do torneio e como os valores inerentes ao esporte foram demonstrados, do que do placar final", destacou.

Já Randes Enes, especialista em marketing da FGV Management, frisou que os patrocinadores vêm ganhando há algum tempo. "O grande sucesso da marca em se associar à Seleção é mais como reforço de imagem do que somente de posicionamento estratégico. Patrocinar o Brasil, com toda visibilidade que isso dá, mostra que o papel já foi cumprido", avaliou. Para ele, nesta Copa foi feito um trabalho agressivo de exposição de marca, indo muito além dos banners. "Houve um trabalho fantástico, muito vantajoso, com resultados e objetivos que com certeza foram atingidos. As marcas exploraram não só o esporte, mas a gestão do negócio, que hoje é o futebol", ressaltou, citando como exemplo de estratégia vitoriosa o patrocínio da TAM, que decorou o avião que transportou a Seleção Brasileira. "As marcas pisaram na África antes da Seleção. Houve um alinhamento fantástico entre os patrocinadores e a CBF", finalizou.

Nesta Copa, a Seleção Brasileira foi patrocinada pelas seguintes empresas: Nike, Itaú, Vivo, Guaraná Antarctica, Nestlé, Volkswagen, TAM, Seara, Gillette e Extra.

Nike é processada por ex-jogador da Seleção

Marca usou sem autorização fotos de Gylmar dos Santos Neves, ex-goleiro da Seleção Brasileira


São Paulo - A Nike do Brasil perdeu judicialmente uma ação movida pelo ex-goleiro da Seleção Brasileira Gylmar dos Santos Neves, que jogou nos mundiais de 1958 e 1962. A marca utilizou indevidamente fotos do ex-jogador para lançar uma coleção de roupas com a temática "campeões mundiais", em 2006, chamada "Nike Brasil 5 estrelas"

De acordo com Flavia Mansur Murad Schaal, advogada do escritório responsável pela defesa de Gylmar no processo, a Nike divulgou a campanha sem nenhum tipo de autorização do ex-atleta, que teve sua imagem estampada em painéis publicitários dentro da loja recém inaugurada na época, em São Paulo, e sua imagem e atributos pessoais e profissionais associados à marca. As imagens foram vistas por conhecidos do ex-jogador, que o alertaram.

Após ser notificada, a Nike recusou-se a remunerar Gylmar pelo uso das imagens, não aceitando nenhum tipo de acordo, motivo pelo qual o ex-jogador entrou na justiça. A marca argumentou ter direito sobre as imagens por meio de um acordo fechado com a CBF.

No processo, a Nike defendeu que estaria fazendo uso do "direito de arena", pelo qual as imagens de um espetáculo pertenceriam à instituição que o patrocina, no caso, a CBF. Segundo Flávia Mansur, esse argumento foi derrubado ao longo da ação.

Procurada, a Nike não quis se pronunciar sobre o caso, mas disse que a sentença ainda não é final. A marca ainda pode recorrer da decisão judicial. Se perder, deverá pagar um valor estimado em 100 mil reais ao ex-jogador.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Embalagens ajudam a promover o consumo consciente

Natura, Do Bem e Goóc divulgam práticas sustentáveis em seus produtos

Rio de Janeiro - Os rótulos aparecem como um canal eficaz para as empresas que desejam promover o consumo consciente. Prática comum em mercados mais maduros, onde a questão ambiental está inserida há pelo menos uma década, por aqui, a inclusão de selos e certificados que comuniquem práticas sustentáveis, além de informações a respeito de toda a cadeia produtiva, ainda é rara.

A iniciativa, no entanto, tende a se integrar ao dia a dia das companhias, desde que empresas e consumidores façam a sua parte. Natura, Goóc e Do Bem são algumas das poucas marcas brasileiras que já perceberam a importância de serem transparentes em suas embalagens. Esses são exemplos de companhias que se anteciparam em relação a uma tendência que caminha para tornar-se realidade no país.

Segundo o Monitor de Responsabilidade Social Corporativa 2010, realizado pela Market Analysis, 36% dos brasileiros acreditam que uma etiqueta na embalagem é a melhor forma de uma empresa comunicar práticas ambientais. Em 2007, este número era de 27%. No entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Apenas dois em cada 10 consumidores brasileiros estão bem informados sobre o comportamento socioambiental de produtos e empresas. Em países da Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, são cerca de seis a oito consumidores sensíveis ao assunto a cada 10.

Mais de 400 rótulos internacionais

Enquanto no mundo existem mais de 400 selos, como indica o Dossiê Unomarketing, lançado em parceria com a Revista Ideia Socioambiental, no Brasil, são poucos os produtos certificados. "As pesquisas indicam uma predisposição do consumidor para comprar produtos verdes, mas como poucas empresas usam certificados e falta informação, a compra efetiva não acontece, o que complica a prática do consumo consciente", explica Paula Faria, Sócio-Diretor da Sator, agência idealizadora do Unomarketing.

Apesar do estudo realizado pelo jornalista Ricardo Voltolini e pelo especialista em mapeamento Luiz Bouabci apontar a existência de mais de 400 selos, na prática, esse número chega a 600. São certificações preocupadas com a questão sócio-ambiental e com o aspecto econômico. Mas há também uma parcela de selos que não é considerada fonte segura.

Como o excesso de símbolos e informações pode acabar sendo mais confuso do que esclarecedor, a International Organization for Standadization criou a ISO 14001, uma certificação voltada para a gestão ambiental nas empresas, com uma série de normas específicas para garantir a credibilidade dos selos.

Mercado movimentou US$ 5 bi em 2008

Em 2008, o mercado de certificações movimentou US$ 5 bilhões, segundo o autor do livro "Branded! – How to Certification is Transforming Global Corporations" (ainda sem tradução para o português). Há 15 anos, não passava de US$ 1 milhão. Em 12 anos, mais de 300 milhões de hectares de terra receberão certificação, o correspondente a 15% das áreas de manejo florestal do mundo.


De acordo com o estudo da Market Analysis, 56% dos consumidores da América do Norte, 54% da Oceania, 29% da Europa, 24% da América Central e da Ásia e 11% da América do Sul afirmam preferir produtos sociambientalmente responsáveis. Os primeiros rótulos obrigatórios surgiram na Europa, nos anos 1940, para destacar a presença de substâncias químicas potencialmente danosas à saúde do consumidor.

Mas foi no final dos anos 1970, com o início do movimento ambientalista, que começaram a nascer os primeiros selos verdes. Em 1977, a Alemanha criou o Blue Angel, ainda hoje garantido pelo Ministério do Meio Ambiente do país. O selo certificou e atestou 3,6 mil produtos, segundo critérios como reciclagem e baixa toxicidade. Em 1988, o Canadá instituiu o seu Eco-logo e, em 1989, o Japão implantou o Ecomark. Também em 1989, os Estados Unidos apresentaram o Green Seal e, desde 1992, a União Europeia mantém o Ecolabel.

Natura é exemplo no Brasil

No Brasil, há 17 anos, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) mantém um programa de certificação ambiental, mas que ainda não teve nenhum selo certificado. Nos últimos meses, o projeto foi retomado e tem sido reformulado para atender a demanda. Segundo a associação, entre os segmentos com contrato já assinado para o processo de certificação destacam-se os de cosmético, têxtil, siderúrgico, pneus reformados, gráficas, divisórias, pisos e tetos e até o de fabricação de fraldas.

Por aqui, a Natura é a empresa de maior destaque quando o assunto é transparência com o consumidor. "A Natura trabalha em todos os pontos: informações no rótulo, certificações e estudo da pegada carbônica. Talvez ela seja a empresa brasileira que mais se aproxima do padrão ideal", aponta a idealizadora do Unomarketing.

A Goóc é outra marca que também tem o cuidado de orientar e promover o consumo consciente. Com a sustentabilidade em sua essência, já que fabrica sandálias 80% à base de pneus reciclados, a marca busca destacar o cuidado com o ambiente nas embalagens. Nas caixas, os clientes encontram informações sobre o processo de produção e reutilização de materiais.

"Temos o Cadre (Certificado de Arrecadação de Resíduos), que não é estampado nas embalagens, mas é exigido na hora da retirada de resíduos de fábricas de pneus, como Michelin e Pirelli", conta Wanderley Moreno Tracastro, CEO da Goóc.

Informações devem integrar todos os canais

Como o espaço da embalagem não é suficiente para inserir todas as informações a respeito da empresa, a Goóc criou um informativo para os consumidores que vai dentro das caixas dos calçados. Já a Do Bem disponibiliza em seu site informações sobre o estudo da Pegada Carbônica, informando o consumidor sobre a quantidade de CO² emitida desde o processo de produção até a distribuição.


"Usamos a embalagem não só para colocar o suco, mas também para interagir com o consumidor. Quando terminamos o estudo da Pegada Carbônica, no ano passado, resolvemos colocar não só no site, como também na caixinha, explicando que o material completo está disponível na internet. Tentamos integrar todos os meios de comunicação e todo espaço que temos para divulgar a mensagem de que é possível produzir produtos mais naturais", relata Marcos Leta, CEO da Do Bem.

No momento, a Do Bem estuda a divulgação do selo Kosher em suas embalagens, conquistado no ano passado e dado pela comunidade judaica para "alimentos tratados/preparados segundo preceitos da religião judaica". Esse critérios referem-se não só ao tipo da comida, como também à maneira de preparo e à combinação entre os alimentos de uma refeição. Para isso, um rabino acompanhou a produção dos sucos da marca e constatou que não era acrescentado nenhum componente químico aos produtos.

Consumidor e indústria em prol da sustentabilidade

A iniciativa de empresas como a Do Bem ajudam a amadurecer o mercado brasileiro de certificações. Pesquisas indicam que o consumidor brasileiro não tem o hábito de ler rótulos, por isso a importância dos símbolos. "As pessoas se atraem por ícones. Investir em imagens que representam questões sócio-ambientais é o melhor caminho para se pensar em rótulos", acredita Paula.

Cabe às empresas apostarem em comunicação forte para começar a criar informações e utilizá-las nos rótulos de forma eficiente. É papel também dos consumidores valorizar os selos e rótulos verdes e reconhecer a importância do consumo consciente como instrumento para produzir mudanças no modo como as empresas encaram os aspectos socioambientais em seus processos e produtos. Uma iniciativa de destaque mundial neste sentido é o site Ecolabelling.org, uma espécie de termômetro sobre o que é bem avaliado e que explica os critérios de seleção para os selos verdes.

"O consumidor está um pouco mais atento aos rótulos. Antes, ele só olhava a frente da embalagem. Agora, com as campanhas das próprias empresas e a circulação de informações sobre saúde e bem-estar, o brasileiro está 'virando para os lados' e conhecendo as informações nutricionais. Gostaria que houvesse um movimento não só por parte dos consumidores, mas também das pessoas que estão inseridas nas indústrias, querendo mostrar para o consumidor o que realmente tem naquele produto", aponta Leta, da Do Bem.

Rossi faz ação de lançamento que entra para o Guinness

Construtora cria maquete em realidade aumentada no terreno da construção

Rio de Janeiro - A Rossi desenvolveu uma ação de marketing que foi para o livro dos recordes. A companhia utilizou realidade aumentada para lançar o empreendimento comercial Fibrasa Connection, em Vitória. Por meio de uma lona de 900m², os clientes que sobrevoaram o terreno puderam ver como será o prédio pronto com a ajuda da tecnologia.

A ação chamou a atenção do Guinness Book, que enviou um juiz para registrar o feito. No stand da construtora, a projeção do empreendimento é feita em uma TV de 42 polegadas.

Lojas Renner tem nova agência digital

3YZ será responsável pela comunicação online da rede de lojas


São Paulo - A agência digital 3YZ acaba de conquistar a conta da Lojas Renner, segunda maior rede de lojas de departamento de vestuário do Brasil e 10ª marca mais valiosa do país, segundo a pesquisa Interbrand 2010, divulgada recentemente. A conta estava até então na carteira da W3haus.

"A 3YZ passa a responder pela comunicação digital da empresa, que possui um grande potencial e está em plena expansão. Nosso principal objetivo é a consolidação da marca no ambiente online", explica o diretor executivo da 3YZ, Fabiano Finger. A seleção foi realizada a partir de concorrência com outras agências.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Campanha da Duloren relaciona Vaticano com a pedofilia

Marca de lingerie escolheu a praça de São Pedro como cenário para as fotos



Há dez anos a Duloren não fotografava uma campanha no exterior, e escolheu a Itália como locação para as novas fotos. Assim, a imagem terá a praça de São Pedro, no Vaticano, como cenário. Em primeiro plano, a modelo - de lingerie - mostrará um crucifixo para um homem de costas (que aparenta ser um padre, por conta da roupa e do ambiente), acompanhado da frase 'Pedofilia. Não'.

Pela primeira vez, a campanha será lançada nas mídias sociais (Facebook, Orkut e Twitter), passando depois para a mídia impressa e para os mais de 20 mil pontos-de-venda da marca. A Simples Agência é responsável pela ação online e o anúncio foi criado pela Agnelo Pacheco Rio.