Ele nunca ganhou um título de F-1, mas, de mudança para a Fórmula Indy, segue atraindo atenção e patrocinadores - por quê?
Marcio Fernandes/Agência Estado
Barrichello: piloto corre neste domingo, pela Fórmula Indy
São Paulo - A terceira edição da
Fórmula Indy
em São Paulo, neste domingo, será um momento ansioso para Rubens
Barrichello. De mudança depois de 19 temporadas na F-1, o piloto fará
sua estreia em um circuito brasileiro pela nova categoria, correndo pela
KV Racing ao lado de Tony Kanaan. No uniforme e no carro, estampará os
logotipos da BMC e da Embrase, as marcas que o
patrocinam na empreitada.
Rubinho nunca conquistou um título mundial na F-1, a principal
categoria do esporte, e mesmo demonstrando um desempenho polêmico - e
por que não dizer discreto? - nas pistas, soube manter-se sob os
holofotes e atrair marcas à procura de estrelas promissoras no marketing
esportivo. Mas, se o desempenho nas pistas não é sua principal isca, o
que é?
De acordo com Tiago Scuro, professor do MBA gestão e marketing
esportivo da Trevisan, a resposta está na consistência e na longevidade
do trabalho de Barrichello, e não necessariamente no número de títulos
que carrega.
"Herança infeliz"
"Rubinho chegou a brigar por títulos e é um bom exemplo dentro da
modalidade. No Brasil, recebeu sem culpa a herança de suceder Ayrton
Senna, um ídolo, o que gerou uma expectativa muito grande sobre ele e
pode ter atrapalhado sua marca no país", explica Scuro.
Segundo o professor, uma situação parecida aconteceu com Thomaz
Bellucci, que mesmo chegando a figurar entre os 30 maiores tenistas do
mundo aos 24 anos, viu pela frente uma dificuldade grande de se conectar
com o público brasileiro. Foi praticamente uma questão de hora e lugar:
"Ele veio depois do Guga".
"O fato é que Rubinho nunca foi um mau exemplo de conduta nem dentro
nem fora das pistas e se posicionou de forma consistente perante o
público, o que gera segurança para marcas. Além disso, conseguiu se
manter em evidência, sendo o principal piloto de F-1 no Brasil por muito
tempo", explica Scuro, da Trevisan.
Uma evidência que não interessa apenas às marcas patrocinadoras, mas
também à própria Fórmula Indy, que vê um ganho de popularidade no Brasil
com a entrada de Barrichello. Em recente entrevista ao
site da ESPN,
o vice-presidente comercial da categoria, Greg Gruning, rasgou elogios a
Rubinho, destacando a importância do piloto para a expansão da Fórmula
Indy.
"O que ele tem feito pela Indy é incrível. Ele tem 1,5 milhão de seguidores no
Twitter,
e agora todos eles têm informações sobre nossa categoria. A chegada de
Rubens não poderia ter acontecido em um momento melhor", afirmou o
dirigente.
Robert Alvarez, professor de marketing do esporte da ESPM, lembra da
importância da imagem pessoal de Rubinho. "A figura é simpática, e isso
independe dos resultados. Todo mundo critica, mas ninguém nunca deixou
de comprar camiseta da Ferrari nem de acompanhar", pontua.
Bom moço
Foi justamente a imagem de bom moço do piloto o que impressionou os
dirigentes da Brasil Máquinas (BMC), uma das maiores empresas na
comercialização de equipamentos pesados no Brasil.
"Vimos algumas pesquisas e uma delas dizia que o Rubinho era o mais
reconhecido dos esportistas brasileiros em atividade. Não se aposentou,
tem credibilidade, é carismático e um corredor de ponta", afirma
Christiano Kunzler, vice-presidente da companhia.
Interessada em se vincular a características do automobilismo como
dinamismo, performance e objetividade, e também em atrair a atenção do
público masculino, cliente majoritário dos negócios da empresa, a BMC
entrou no esporte em 2011 com a Stock Car. Agora, expandiu os
investimentos patrocinando Rubens Barrichello.
Juntas, a BMC e a Embrase Segurança e Serviços desembolsaram estimados 5
milhões de dólares - valores não confirmados pelas empresas - para ter o
piloto como representante nas pistas. Para a Brasil Máquinas, o
investimento tem se mostrado gratificante.
"Apesar de ser o primeiro ano dele (na categoria), já começou a dar
resultados. Existe um período de maturação, mas Rubinho tem demonstrado
uma crescente desde a primeira corrida", confirma Kunzler. Uma crescente
que, ao que parece, se estende à expectativa dos patrocinadores e do
público. O domingo promete.